JUSTIÇA ARQUIVA ACUSAÇÕES SOBRE A ELEIÇÃO DE ANCHIETA

Oposição fez nove acusações. Tribunal derrubou oito. Uma foi confirmada e punida.


Anchieta (ES) — A eleição municipal de 2024 terminou com 528 votos de diferença e seis processos judiciais na Justiça Eleitoral. No dia 3 de junho de 2026, o TRE-ES deu a palavra final: as acusações contra o prefeito eleito Leonardo Abrantes, o vice Renato Lorencini e o então prefeito Fabrício Petri foram arquivadas por falta de provas.

A coligação perdedora — formada por PODE, PDT, MDB e outros partidos — alegava que a máquina pública foi usada para ganhar votos. As acusações incluíam contratações em massa às vésperas da eleição, distribuição de cestas básicas e postes de energia, uso de maquinário da prefeitura em terrenos particulares e reuniões do prefeito com servidores com supostas promessas de vantagens.

O tribunal foi ponto a ponto. Os números mostraram que em 2024 houve menos contratações do que no mesmo período de 2023. Os programas sociais citados existiam há anos, criados por leis municipais anteriores à eleição. As testemunhas não confirmaram nenhuma promessa irregular. Sem prova, sem punição.


O que a Justiça confirmou — e pouca gente ficou sabendo

Num dos processos paralelos, o tribunal reconheceu e puniu uma conduta proibida por lei:

Guardas municipais, fardados e em horário de trabalho, gravaram vídeo de campanha eleitoral.

Isso fere o artigo 73 da Lei das Eleições, que proíbe o uso de servidores públicos em atividades de campanha durante o expediente. O resultado foi multa — e o assunto foi pouco comentado na cidade.


O que fica

A Justiça cumpriu seu papel: sem prova suficiente, não há condenação. Mas algumas perguntas seguem sem resposta:

  • Servidores municipais fizeram doações de campanha por livre e espontânea vontade?
  • Programas sociais antigos foram intensificados em ano eleitoral?
  • E os guardas fardados no vídeo — foi uma escolha deles?

Uma eleição decidida por 528 votos, seis ações na Justiça e agentes de segurança em campanha. A decisão judicial encerrou o processo. Não necessariamente as perguntas.


Baseado no acórdão público nº 0600835-17.2024.6.08.0017 — TRE-ES, proferido em 09 de junho de 2026, disponível para consulta.

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