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Tradição de Santa Luzia segue viva em Alfredo Chaves e mobiliza gerações

A comemoração do dia de Santa Luzia, celebrado em 13 de dezembro, permanece como uma das tradições mais antigas e preservadas em Alfredo Chaves, município capixaba marcado pela forte influência da imigração italiana. Em diversas comunidades, especialmente nas áreas rurais, famílias continuam a preparar doces para as crianças, mantendo vivo o costume transmitido por gerações.

Na véspera da data, crianças colocam pratinhos decorados com capim e milho próximo à árvore de Natal ou em local de destaque na casa. Segundo a tradição, o alimento é destinado ao cavalo de Santa Luzia, que visitaria as residências durante a madrugada para deixar doces às crianças que demonstraram bom comportamento ao longo do ano.

Entre as famílias que mantêm esse ritual está a Paganini, residente no bairro Gururu. O hábito atravessa cinco gerações e teve início com Luizinha Parteli Paganini, de 83 anos, que relembra os tempos em que recebia cavaco e biscoitos no pratinho. O costume foi repassado aos filhos, netos e bisnetos, e permanece ativo.

A tradição também alcança seis gerações na família de Jalci e Ivanete Rosa, moradores do bairro Cachoeirinha. Ivanete conta que a prática foi iniciada por sua avó e mantida ao longo dos anos entre filhos, netos e bisnetos, que continuam preparando o pratinho para a data.

De acordo com a escritora e pesquisadora Penha Franzotti, a tradição foi trazida pelos colonizadores italianos e chegou a ser celebrada com a mesma intensidade do Natal em algumas regiões. Segundo ela, o ato de colocar capim para o “burrinho da santa” preserva uma das mais antigas manifestações culturais do município.

O escritor e jornalista Hésio Pessali destaca que a prática integra o conjunto de celebrações tradicionais do calendário católico entre famílias de descendência italiana, com características religiosas, sociais e afetivas. Ele lembra que, no passado, as crianças costumavam visitar umas às outras pela manhã para mostrar os doces recebidos e trocá-los entre si. Em algumas casas, pais chegavam a levar um animal ao quintal para deixar pegadas no terreiro, reforçando a crença infantil no “cavalinho” de Santa Luzia.

Além da tradição doméstica, Santa Luzia também possui forte devoção em diferentes comunidades do município. No Quarto Território, uma capela dedicada à santa foi construída há mais de 120 anos em pagamento a uma promessa. A imagem da padroeira, trazida da Itália pela família Lorencini, permanece no local e atrai moradores e visitantes durante a celebração anual, que inclui missa e festividades. A data é especialmente significativa para fiéis que agradecem por graças relacionadas à visão, já que a santa é conhecida como protetora dos olhos.

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