A 15ª Semana Legislativa de Proteção ao Rio Doce teve início nesta segunda-feira (17) com uma palestra voltada a estudantes do ensino médio sobre a relação entre a presença da cuíca d’água (Chironectes minimus) e a qualidade dos recursos hídricos. A bióloga e diretora do Instituto Últimos Refúgios, Caroline Reis, explicou que o mamífero semiaquático é considerado um bioindicador da preservação dos rios.
Segundo a especialista, a cuíca d’água depende dos rios para sobreviver, se alimentar e se reproduzir. A presença do animal indica boas condições ambientais, enquanto sua ausência pode sugerir impactos negativos nos cursos d’água. Poucos exemplares da espécie foram formalmente registrados desde 1940, colocando-a em situação crítica de ameaça de extinção.
Para entender melhor a situação da população do marsupial, o Instituto Últimos Refúgios realiza pesquisas em áreas de preservação, como as reservas de Duas Bocas (Cariacica), Augusto Ruschi (Santa Teresa) e Caparaó. O trabalho busca mapear a ocorrência da espécie e avaliar a qualidade dos rios onde ela poderia estar presente.
A palestra faz parte da programação da Semana Legislativa, que tem como objetivo sensibilizar a sociedade sobre a preservação dos recursos hídricos. O coordenador da Comissão Parlamentar Interestadual de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (Cipe Rio Doce), Hernandes Bermudes, destacou a importância de democratizar o conhecimento ambiental e aproximar os jovens do tema. Segundo ele, muitos estudantes não têm contato direto com os rios, e o evento busca torná-los multiplicadores da informação.