Policiais penais condenados por tortura têm ligação com investigação sobre esquema de benefícios em presídios do ES

Dois policiais penais foram condenados pela Justiça por tortura praticada contra um detento da Penitenciária Estadual de Vila Velha V (PEVV 5). Um dos condenados também é investigado em outro processo relacionado a um suposto esquema de corrupção envolvendo a concessão irregular de benefícios a presos em unidades prisionais do Espírito Santo.

A sentença foi proferida pela 3ª Vara Criminal de Vila Velha e condenou os policiais penais Carlos Alberto Batista e Rafael Lopes Cavalcanti Ribeiro a 5 anos e 8 meses de reclusão pelo crime de tortura. Ambos poderão recorrer em liberdade, uma vez que o regime inicial fixado foi o semiaberto. Os policiais penais Adilson Lopes de Barros e Anderson Ribeiro da Conceição foram absolvidos.

O caso teve origem em um episódio ocorrido em 3 de junho de 2019, na PEVV 5. Conforme a decisão judicial, as agressões começaram durante o banho de sol e continuaram em um ambiente interno conhecido como “sala 809”, “barbearia” ou “sala de espera”.

Segundo a sentença, imagens do sistema de videomonitoramento registraram o detento algemado enquanto sofria agressões físicas. O processo relata que a vítima recebeu socos, chutes, disparos de munição de borracha e foi atingida por gás de pimenta. Um dos disparos atingiu a panturrilha do preso, sendo necessária a retirada do projétil por procedimento cirúrgico realizado na própria unidade prisional.

De acordo com os autos, o detento perdeu dois dentes durante as agressões e, por ser soropositivo, utilizou o próprio sangue na tentativa de interromper as agressões.

Um dos condenados, Rafael Lopes Cavalcanti Ribeiro, também responde a outro processo decorrente da Operação Philia, deflagrada em 2024. A investigação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apura um suposto esquema de venda de benefícios ilegais a detentos na Penitenciária de Segurança Máxima 1, incluindo transferências de presos, vagas de trabalho interno e visitas íntimas irregulares.

Durante as investigações, Cavalcanti firmou acordo de colaboração premiada e prestou informações sobre um suposto esquema de corrupção no sistema prisional capixaba. O processo tramita na 3ª Vara Criminal de Viana e permanece em andamento.

As defesas dos policiais contestam a condenação por tortura. Os advogados sustentam que houve emprego progressivo da força durante uma ação de contenção de um detento que resistia às ordens dos agentes, negando a prática do crime de tortura. Também informaram que recursos serão apresentados para reanálise da decisão judicial.

O processo relacionado à Operação Philia segue sob sigilo judicial.

Fonte: A Gazeta | Vilmara Fernandes

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