Não foi declínio. Foi um homem de 70 anos, médico, que enfrentou duas cirurgias na medula, anunciou que ia parar e foi trazido de volta pelo partido. Paulo Foletto não migrou de cargo por ambição — ele tentou sair da política e o PSB o convenceu a continuar, num movimento que a imprensa registrou como “alternativa para fortalecer a chapa“. A pergunta que ninguém respondeu até agora é a mais incômoda: o partido o trouxe de volta para honrar a trajetória dele — ou para usar o nome dele em benefício da própria chapa?
A resposta está em um dado simples e verificável: a campanha que deveria protegê-lo não investe nele. E é exatamente aí que a história de superação — a mais poderosa deste ciclo eleitoral — se perde no meio do caminho.
Presença Digital: um perfil que ainda não se percebeu candidato
O perfil de Foletto é verificado, coeso e profissional. São mais de dois mil posts, sete destaques organizados por eixo de mandato, e um grid onde ele aparece em praticamente todas as miniaturas — de emendas territorializadas a eventos do interior. A identidade visual é forte, a marca “Folletto” é recorrente, e a bandeira da saúde, que ele carrega como médico e como titular da Comissão de Saúde, é o conteúdo que mais faz a comunidade reagir.
Mas há um descompasso entre o que o perfil é e o que o perfil deveria ser. A bio ainda o apresenta como deputado federal, o grid celebra entregas já realizadas, e a história que o diferencia — o médico que enfrentou a doença, anunciou o fim e voltou a pedido da base — não aparece em lugar nenhum. No framework do Método PODER, esse é o padrão clássico do pilar P — Posicionamento e Alinhamento de Narrativa: o eleitor não vota em quem não consegue lembrar. E o problema é exatamente esse — o perfil lembra o Foletto do passado, não apresenta o Foletto do futuro. A regra de ouro do posicionamento é 20% de histórico como credencial e 80% de proposta e visão de futuro. No grid dele, a proporção está invertida: quase tudo é prestação de contas do que já foi feito, quase nada é o que ele pretende fazer na Assembleia. Num ano eleitoral, quem não se posiciona como candidato a estadual vira coadjuvante da própria história.
Tráfego Pago: o tanque está vazio e não é culpa do gestor
Aqui a crítica precisa ser precisa. A Biblioteca de Anúncios registra atividade de Foletto no período — mas o investimento é tão residual que beira o zero absoluto: testes soltos, jogados ao vento, sem escala, sem continuidade, sem funil. A crítica não é ao gestor de tráfego — é a quem banca a campanha. Sem investimento, nenhum gestor, por mais competente, executa alguma coisa: tráfego pago é combustível, e o tanque está vazio.
No framework do Método PODER, esse é o retrato exato do pilar O — Otimização de Infraestrutura e Tráfego Pago: dinheiro gasto sem dado rastreado não é investimento, é doação para o algoritmo. O caso é ainda mais emblemático porque há registro de anúncios veiculados sem o rótulo obrigatório — ou seja, até no pouco que foi feito, faltou cuidado técnico. O partido que trouxe Foletto de volta não está colocando dinheiro para transformar o retorno dele em votos. E sem verba, sem pixel, sem público salvo e sem lista própria, cada real investido começa do zero — e termina no zero.
Cereja do Bolo
Paulo Foletto é, ao mesmo tempo, o candidato com a melhor história do ciclo e a pior estrutura para contá-la. Tem o enredo que nenhum concorrente tem — o médico que enfrentou a medula, anunciou o fim e voltou — mas o perfil que o apresenta ainda se diz deputado federal, o conteúdo que o documenta celebra entregas passadas, e o dinheiro que deveria amplificar tudo isso simplesmente não existe. O PSB o trouxe de volta para a chapa; mas o trouxe de volta sem lhe dar instrumentos para vencer.
A pergunta que fica para o eleitorado do interior capixaba é direta: o partido trouxe Foletto para honrar a trajetória dele, ou para usar o nome dele em benefício da própria chapa? E a resposta está em um dado que não mente — a campanha que deveria protegê-lo não investe nele. Trouxeram o homem de volta. Esqueceram de trazer a campanha junto.
MATRIZ SWOT
- Trajetória consolidada em três níveis — vereador, estadual e federal — com capital eleitoral real no interior capixaba
- Narrativa de superação de saúde única no pleito: médico de 70 anos que enfrentou cirurgias na medula e voltou
- Bandeira da saúde autêntica e transversal, ancorada na formação médica e na titularidade da Comissão de Saúde
- Posicionamento digital ancorado no mandato federal, sem transição para a candidatura estadual
- Tráfego pago residual, sem escala, sem funil e sem captura de leads próprios
- Marca fragmentada em perfis paralelos e bio desatualizada em relação ao status de candidato
- A história de superação é o furo narrativo do ciclo — nenhum concorrente tem enredo equivalente
- Saúde e municipalismo são os temas que mais engajam no perfil, prontos para virar eixo de campanha
- Ano eleitoral favorece conteúdo humano de retorno e recomeço, com potencial de viralização regional
- Leitura pública de “aposentadoria revertida à força” pode virar pauta adversa
- Chapa com 31 candidatos dilui votos, visibilidade e recursos
- Alerta de conformidade na Biblioteca de Anúncios pode virar problema reputacional
Trouxeram o homem de volta. Esqueceram de trazer a campanha junto.
Esse é só 2 dos 50 erros mapeados no Método P.O.D.E.R.


