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Em menos de dois meses, o Guardiões da Infância percorreu seis municípios do Espírito Santo com foco na prevenção e na formação de multiplicadores

O programa Guardiões da Infância, iniciativa da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), capacitou cerca de 800 adultos em menos de dois meses de atuação. Com foco na prevenção à violência contra crianças e adolescentes, o projeto já percorreu seis municípios capixabas — São Domingos do Norte, Pedro Canário, Jaguaré, Itapemirim, Conceição do Castelo e Domingos Martins — levando palestras e workshops para pais, educadores, profissionais de saúde, assistência social e outros integrantes da rede de proteção.

A proposta do programa é formar multiplicadores capazes de identificar sinais de abuso em fase inicial e acionar os fluxos corretos de notificação, que incluem o Conselho Tutelar, delegacias especializadas, unidades básicas de saúde e os centros de referência do Sistema de Assistência Social (Cras e Creas). O conteúdo é desenvolvido pelo psicólogo forense Rafael Monteiro e articulado junto aos municípios pela secretária da Casa dos Municípios da Ales, Joelma Costalonga.

Um dos pontos centrais abordados nas capacitações é a Lei Federal 13.431/2017, conhecida como Lei da Escuta Protegida, que regula o acolhimento de crianças vítimas e testemunhas de violência com o objetivo de evitar a exposição recorrente ao trauma durante investigações. Segundo Rafael Monteiro, a falta de preparo dos profissionais para receber relatos de abuso pode gerar revitimização, quando a criança é questionada de forma inadequada ou repetida por diferentes pessoas.

Outro tema central das capacitações é a negligência emocional, apontada pelo programa como o principal fator de vulnerabilidade das crianças ao abuso. A lógica defendida é que abusadores tendem a se aproximar de crianças que não encontram suporte afetivo no ambiente familiar, oferecendo exatamente aquilo que lhes falta — atenção, afeto ou apoio.

Dados estatísticos indicam que mais de 70% das agressões contra crianças ocorrem dentro do próprio lar, praticadas por pessoas próximas ou de confiança. Diante disso, o programa busca capacitar a rede para identificar sinais emocionais e relacionais emitidos pelas vítimas, em vez de aguardar a revelação espontânea do abuso.

Segundo Joelma Costalonga, os retornos mais expressivos têm vindo de professores e profissionais de saúde, que relatam ter passado a identificar sinais que antes passavam despercebidos. O programa também tem estabelecido diálogo com escolas, instituições religiosas e organizações do terceiro setor.

O Guardiões da Infância é desenhado como uma estratégia permanente e itinerante, com previsão de expansão para outros municípios do estado ao longo de 2026.

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