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Nove Vigilantes Viram Réus por Rapto, Tortura e Morte de Homem em Situação de Rua em Vitória

Marcos Vinícius Lopes Rodrigues desapareceu em março na Praia do Suá; corpo foi encontrado em área de vegetação na Serra; um dos acusados segue foragido

Nove integrantes de uma equipe de rondas de uma empresa de segurança privada tornaram-se réus pela morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, conhecido como “Bracinho”, homem em situação de rua que desapareceu na madrugada de 17 de março na Praia do Suá, em Vitória. Oito estão presos e um permanece foragido.

Segundo o delegado Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), o grupo atuava há pelo menos dois anos monitorando pessoas em situação de rua que, na avaliação dos vigilantes, causavam “perturbação” nos condomínios atendidos pela empresa. A investigação aponta que o grupo passou a capturar e agredir essas pessoas, indo além das funções legais de rondantes de segurança.

No caso de Marcos Vinícius, a polícia identificou que ele já havia sido agredido pelo grupo em 8 de março, com uso de ferramentas, incluindo alicates para arrancar dentes. Na noite de 16 para 17 de março, após os vigilantes o identificarem por câmeras de segurança, o grupo combinou por meio de um grupo de WhatsApp o rapto, o local e a execução. Uma câmera registrou o momento em que oito homens abordaram a vítima na Rua Ulisses Sarmento, com um deles apontando arma para Marcos, que foi colocado em um veículo da empresa e levado para a Serra, onde foi espancado até a morte. O corpo foi encontrado em área de vegetação de eucalipto nas proximidades do Contorno de Jacaraípe.

Foi a mãe de Marcos Vinícius quem comunicou o desaparecimento à polícia, após não encontrar o filho durante sua visita diária com marmita. A companheira da vítima relatou à mãe o que havia acontecido.

Em 15 de maio, a Polícia Federal encerrou as atividades da empresa de segurança privada ligada aos vigilantes investigados, constatando que ela operava sem autorização e que os funcionários realizavam rondas com tonfas, armas brancas e simulacros de arma de fogo. Além do caso de Marcos Vinícius, o grupo é investigado pela tortura de outras duas pessoas em situação de rua.

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