Ele tirou famílias do chão batido, deu moradia digna. No mesmo ano, parte dos beneficiários votou contra ele. A reação? “Tô tranquilo.”
Marquinho Assad, ex-prefeito de Anchieta (2013-2016), construiu um conjunto habitacional em Nova Anchieta. Gente que morava em casa sem banheiro, no chão batido, ganhou um teto de verdade. No mesmo ano, muitos desses moradores escolheram outro candidato nas urnas.
Na entrevista, ele repete como um mantra: “fiz minha parte“. Fala que não tem inimigo — nem político, nem pessoal. Diz que o coração é limpo, de perdão, sem ódio. Só que a repetição entrega o que a tranquilidade tenta esconder: a conta não fecha.
O político admite que o jovem de 18 a 25 anos não alcança esse histórico se não for pela rede social. Traduzindo: o que ele fez há dez anos não chega no feed de quem vota hoje. A obra entregue vira memória, e memória não paga alcance orgânico.
A lição é fria: gratidão não é voto certo. E tranquilidade repetida três vezes numa entrevista raramente é tranquilidade.







