“Os prefeitos que tinham passado por Anchieta não tinham enfrentado as redes sociais que eu enfrentei. Tudo era escondido na prefeitura e ninguém sabia de nada”, disparou o ex-mandatário”.
ANCHIETA — O avanço da era digital e o impacto das redes sociais na fiscalização pública voltaram ao centro do debate político local. Em nova declaração ao PodBee, o ex-prefeito Marquinho Assad (Podemos) subiu o tom ao analisar a transição nos modelos de comunicação institucional e disparou críticas à cultura de bastidores que, segundo ele, dominava o município antes da popularização das plataformas digitais.
Sem meias palavras, Assad traçou uma linha divisória clara entre o passado administrativo da cidade e o cenário atual, sugerindo que a falta de canais diretos com o cidadão blindava gestores antigos.
A “revolução” de 2012 e o fantasma do Portal da Transparência
A acidez de Marquinho não poupou o histórico de cobranças dos órgãos de controle. O ex-prefeito relembrou o período final de 2012, marcado pela expansão de ferramentas como o Facebook e o WhatsApp, afirmando que sua gestão foi a primeira a lidar com o peso real de uma “nova era digital” e a cobrança por interatividade.
Na tentativa de se posicionar como o marco inicial da transparência no município, Assad relembrou as pressões externas que a cidade sofria. “Nossa administração passou a ser uma administração transparente. Não só legalmente, como exigência do Tribunal de Contas — já que o Portal da Transparência do nosso município não funcionava e nós fizemos funcionar —, quanto a interação com as redes sociais”, pontuou.
Entre o mérito e a cobrança de bastidores
Embora o ex-prefeito adote uma postura de vanguarda tecnológica ao falar de sua administração, o próprio bastidor da entrevista trouxe contrapontos provocativos. Durante o episódio, a condução do programa lembrou ao político que, apesar dos investimentos realizados na época — como a atração do sistema SESI-SENAI para qualificar os jovens —, o silêncio ou a falha estratégica nas redes gerou um hiato com o eleitorado mais jovem, que hoje tem entre 18 e 25 anos e desconhece esse histórico.
Assad defendeu-se argumentando que manteve suas redes ativas para o dia a dia e que optou por recuar em materiais estritamente políticos por entender que “aquele momento não era o momento”.
A declaração de Marquinho Assad joga gasolina no debate sobre a comunicação pública em Anchieta. Ao mesmo tempo em que cutuca o passado ao falar em “tudo escondido”, o ex-prefeito deixa claro que o tabuleiro político agora é jogado sob os olhos atentos — e prints — de uma audiência que não perdoa a falta de cliques e respostas rápidas. A conferir como as forças governistas e os antigos grupos citados reagirão ao bombardeio digital.





