Seis mandatos consecutivos. Presidência da Assembleia Legislativa. Comando do União Brasil no Espírito Santo. Marcelo Santos construiu o currículo político mais sólido entre os pré-candidatos a deputado federal do estado. O problema é que a operação de comunicação digital montada ao redor dele ainda age como se a eleição fosse para estadual.
O conteúdo é profissional, a frequência é consistente, a narrativa de entregas é verdadeira. Mas o alcance — o alcance ainda pensa em Cariacica. E quem precisa de 50 mil votos no estado inteiro não pode se dar ao luxo de pensar pequeno.
O Instagram que entrega nos 78 municípios — mas um de cada vez
O perfil de Marcelo Santos no Instagram é profissional, consistente e verdadeiro. Produção de alto nível, frequência de 3 a 4 posts por semana, narrativa centrada em entregas físicas — trator, bloquete, hospital, campo de futebol. O conteúdo prova que ele está onde prometeu estar. O problema não é o que ele mostra. É como mostra.
Dos 19 Reels mais recentes, 14 são sobre obras em distritos específicos — Taquaras, Muqui, Divino da Glória, São Mateus. Conteúdo de altíssima qualidade para quem mora naquele município, utilidade zero para os outros 77. O post de maior tração do período não foi sobre bloquete nem sobre trator. Foi sobre maioridade penal — pauta nacional — com 571 likes e 103 comentários, engajamento 40% maior que a média do perfil.
Isso revela um padrão claro: quando Marcelo fala para o Espírito Santo inteiro, a audiência responde. Quando fala para um distrito, só o distrito ouve.
No framework do Método PODER, esse é o padrão clássico do pilar D — Distribuição: conteúdo de qualidade sem estratégia de distribuição estadual não sai do lugar. O erro 24 (ignorar os primeiros 3 segundos) e o erro 26 (feed usado como mural de recados) se aplicam perfeitamente aqui — Marcelo produz para 78 municípios, mas entrega para um de cada vez, num formato que não escala.
A matemática que não fecha para quem precisa de mais de 50 mil votos
A Biblioteca de Anúncios da Meta mostra o que o feed escondia. Marcelo Santos mantém tráfego pago constante desde fevereiro de 2026: cerca de 130 anúncios em seis meses — constância que 90% dos políticos capixabas não têm. Mas a execução multiplica o mesmo erro do orgânico em escala amplificada.
A segmentação é de estadual: público estimado entre 10 mil e 50 mil pessoas — tamanho de dois bairros de Vila Velha. Para quem precisa de 50 mil votos no estado inteiro, isso é irrelevante. O ciclo de 10 dias mata o anúncio exatamente quando o algoritmo começaria a otimizar entrega. A própria Meta avisa: “3 anúncios usam esse criativo”. O mesmo vídeo disputa leilão contra si mesmo fragmentando orçamento.
E o mais grave: 92% dos anúncios são topo de funil. Exibem o vídeo e esperam que o eleitor lembre na hora de votar. Zero remarketing, zero formulário de captura, zero WhatsApp, zero lead magnet. Marcelo pagou para mostrar — não pagou para converter.
No framework do Método PODER, esse é o retrato do pilar O — Otimização: os erros 11 (dependência do botão Turbinar), 13 (falta de segmentação geográfica precisa), 14 (não criar públicos personalizados) e 19 (não capturar leads próprios) estão todos ali, funcionando ao mesmo tempo. O político pensa federal. O tráfego pago ainda pensa em Cariacica.
Cereja do Bolo
O dado mais revelador de toda a análise veio de um único Reel: o vídeo sobre maioridade penal, postado em 15 de julho de 2026. Foi o primeiro conteúdo de pauta nacional que Marcelo publicou no período analisado. Teve mais engajamento que qualquer post sobre obra, trator ou bloquete. O conteúdo que o algoritmo mais distribuiu foi o que menos pareceu com o resto do perfil.
Marcelo Santos tem o político certo para a eleição. Tem a história, tem a articulação, tem as entregas. Mas a máquina digital que construiu ao redor de si é uma máquina de estadual operando numa campanha federal. 130 anúncios sem capturar um lead. Quase 20 Reels, a maioria hiperlocalizados. Zero remarketing. O conteúdo que ele mais produz é o que menos escala. E o conteúdo que escala é o que ele menos produz.
O diagnóstico é claro: conteúdo bom, distribuição inadequada, conversão inexistente. Marcelo Santos está pronto para ser federal. Falta a equipe de comunicação perceber que o digital de 2026 não se vence com o modelo de 2022.
MATRIZ SWOT
- Presidente do União Brasil no ES — controle direto de tempo de TV e recursos partidários
- Primeiro cariaciquense a presidir um Poder no Estado — narrativa de quebra de barreira histórica
- Trânsito simultâneo com governo e oposição — raro no legislativo capixaba
- Copy longo e discursivo em anúncios — inviável para Reels de 1,5 segundo
- Dependência de carrossel informativo em detrimento de vídeo curto nativo
- Zero collab com lideranças estaduais no digital — perde alcance gratuito
- Antes/depois de obras é ouro para Reels — formato favorecido pelo algoritmo em 2026
- Collab com prefeitos pode dobrar alcance sem gastar um real
- Remarketing nunca feito no ES — chance de pioneirismo na captura de leads
- Perda do holofote da presidência da ALES em 31/01/2027 — depois, será “mais um” deputado
- Crescimento patrimonial de 130% em 4 anos — munição certa para adversários
- Se não furar a bolha agora (julho), o timing eleitoral pode não permitir recuperação
Conteúdo bom, distribuição inadequada, conversão inexistente.
Esse é só 2 dos 50 erros mapeados no Método P.O.D.E.R.


