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Gasolina E32 chega aos postos; veja como proteger carro que não é flex

A partir deste sábado (1º), a gasolina comercializada no Brasil passa a conter 32% de etanol anidro — aumento de 2 pontos percentuais em relação aos 30% vigentes. Medida foi aprovada pelo CNPE e vale por 180 dias.

A mudança foi anunciada em 14 de julho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e entra em vigor neste sábado (1º de agosto). A justificativa do governo é a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis, agravada pela escalada da guerra no Oriente Médio.

Enquanto o governo e a indústria do etanol defendem a medida, especialistas ouvidos pelo g1 alertam para riscos em veículos mais antigos ou sem calibração específica para a nova mistura. O Ministério Público Federal chegou a entrar com uma ação civil pública pedindo a suspensão da decisão, argumentando que os testes não foram conclusivos e que os impactos ambientais não foram devidamente considerados.

O que muda na prática

Carros flex não precisam de adaptação — foram projetados para trabalhar com concentrações elevadas de etanol. O problema está nos veículos não-flex, especialmente os fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples.

Segundo o especialista Paulo Gonçalves, o consumo tende a aumentar tanto em modelos flex quanto nos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol. Além disso, a presença de água no etanol pode acelerar a corrosão de componentes metálicos e o ressecamento de mangueiras.

Como proteger o motor

O gerente de engenharia da PHINIA, Marcos Passos, listou alguns cuidados que ajudam a preservar o sistema de combustível:

  • Estabilizadores de combustível — indicados para veículos que ficam muito tempo parados
  • Inibidores de corrosão — presentes em aditivos premium, criam uma película de proteção sobre superfícies metálicas
  • Aditivos limpadores — removem depósitos em válvulas, bicos injetores e câmara de combustão

Passos ressalva, porém, que aditivos não eliminam o risco de incompatibilidade em mangueiras, juntas, vedadores e componentes de alumínio.

Outros cuidados recomendados:

  • Filtro de combustível — veículos não-flex exigem atenção redobrada. Filtros com maior resistência química e melhor retenção de partículas finas são recomendados
  • Velas de ignição — a troca antecipada pode ser necessária, já que o motor trabalha em temperaturas mais elevadas
  • Revisões periódicas — carros carburados ou com injeção simples podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e engasgos nas acelerações

Posições divergentes

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que os ensaios realizados não identificaram impactos negativos no desempenho dos veículos e que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional. A entidade defende que a medida reduz a importação de gasolina e amplia o uso de combustível renovável.

Já a Anfavea pede cautela. O presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, afirma que a adoção do E32 exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível. “A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema”, disse.

O CNPE, por sua vez, refuta a possibilidade de danos e afirma que os testes mostraram comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol.

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