WhatsApp Image 2026-04-07 at 16.26.03

Fim da escala 6×1 é tema de audiência pública na Assembleia Legislativa do ES

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) promoveu, na última quarta-feira (21), uma audiência pública para discutir o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos com apenas um dia de folga na semana. A proposta mobilizou sindicatos, movimentos sociais e representantes do poder público estadual.

Durante o encontro, a deputada estadual Camila Valadão (Psol), presidente da comissão, destacou que cerca de 30% dos trabalhadores do estado estão submetidos a essa jornada, com predominância de pessoas negras nesse perfil. “O Espírito Santo é um estado com lógicas de trabalho muito conservadoras. Essa pauta é orgânica, histórica e da classe trabalhadora”, declarou.

A parlamentar apresentou o Projeto de Lei (PL) 635/2024, que propõe o fim da escala 6×1 em contratos públicos, estabelecendo dois dias de descanso semanais sem redução salarial. Após diálogo com representantes de movimentos sociais e sindicatos, Camila acrescentou uma emenda para estender as regras a contratos por concessão e permissão de serviços públicos, como os do transporte coletivo.

A vereadora de Vitória Ana Paula Rocha (Psol) ressaltou o impacto da jornada atual na vida dos trabalhadores. “O fim da escala 6×1 toca numa luta real da classe trabalhadora. O trabalhador quer viver, ter momentos de lazer com suas famílias”, afirmou.

Representantes do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) também participaram da audiência. A coordenadora estadual da organização, Julia Alves Santos, defendeu a adoção de jornadas mais humanas, citando experiências de países europeus com redução da carga horária semanal. Já o coordenador nacional do movimento, Wesley Fábio Silva Pinto, compartilhou sua experiência pessoal com a jornada 6×1, que o levou a abandonar os estudos e enfrentar problemas de saúde.

A presidenta da Central Única dos Trabalhadores no Espírito Santo (CUT-ES), Clemilde Cortes Pereira, reforçou a importância do direito ao descanso. “Ter lazer, ir à igreja, ficar em casa brincando com filhos… tudo isso é viver. Descanso não é luxo, é direito”, afirmou.

Carlos Pereira Araújo, representante da Direção Nacional da Intersindical, destacou os impactos da jornada sobre mulheres, especialmente as negras. “A jornada 6×1 é comum nas lojas, padarias e comércios. Na nossa cultura machista, as mulheres são as mais afetadas.”

O Projeto de Lei 635/2024 segue agora para análise nas comissões da Assembleia Legislativa. Se aprovado, poderá alterar a organização da jornada de trabalho no âmbito do serviço público estadual.

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
WhatsApp

Post Recentes

Condutor fugiu do local, mas foi localizado pela Polícia Civil ainda na noite de quinta-feira e será indiciado por duplo homicídio doloso Dois trabalhadores rurais

Investigações revelaram histórico de ocorrências com o mesmo padrão no Rio de Janeiro e em São Paulo; suspeita confessou os crimes Uma mulher identificada como

Evento gratuito acontece entre os dias 19 e 21 de junho no campo de futebol da comunidade, em Alfredo Chaves A comunidade de Matilde, em