O tabuleiro político de Anchieta vive a dinâmica de sempre: composições de oposição, promessas de renovação e o eterno debate entre experiência e novidade. Para quem já conhece os bastidores do município, porém, o discurso da mudança nem sempre convence. Questionado no Podbee sobre se a oposição local deveria marchar unificada sob uma liderança experiente ou abrir espaço para rostos novos, o ex-prefeito Marquinhos Assad preferiu não cravar nomes — mas não poupou recados.
Com o tom de quem tem quilometragem na Casa Legislativa, Assad descartou o debate entre “velha guarda” e “nova política” como critério de escolha. Para ele, o eleitor não deve se guiar pelo selo de novato ou de veterano, mas pela identidade real do candidato com o povo. “Não adianta você acreditar em falsos profetas”, disparou, defendendo que o verdadeiro termômetro de um político é sua capacidade de estar presente tanto nas horas difíceis quanto nas fáceis — e de “sofrer junto com a população” quando necessário.
Ao mesmo tempo em que alertava contra a autopromoção vazia, Assad puxou a cortina do próprio passado. Afirmou falar “por orgulho e não para se lisonjear”, mas listou atuações que considera emblemáticas: a resistência contra demolições de moradias e o papel no desenvolvimento de infraestrutura no bairro Recanto do Sol.
O recado, com acidez velada sobre quem tenta se promover sem ter história para contar, foi direto ao eleitorado e aos novos entrantes da política anchietana. No palanque local, segundo Assad, o peso de quem já esteve nas trincheiras e nas associações de bairro ainda vale mais do que qualquer discurso de renovação. A oposição de Anchieta segue buscando sua fórmula — mas, pelos critérios do ex-prefeito, tradição e pertencimento continuam sendo o piso mínimo da conversa.






