Marcos Madureira (Podemos) tem uma biografia que qualquer político capixaba assinaria: 5 mandatos como deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado, engenheiro civil com passagem pelo DER-ES. São 35 anos de vida pública e R$ 15 milhões em obras anunciadas só nos últimos meses. O currículo é de peso. O Instagram, no entanto, entrega resultados de microinfluenciador de bairro.
O DEPUTADO MADUREIRA tem 8.489 seguidores, selo azul de verificação, 494 posts acumulados — e postou menos de 10 vezes em 2026. A média de engajamento nos posts do próprio feed é de 36 curtidas. O problema não é falta de história. É falta de presença.
Ele entrega obra, mas não entrega conteúdo
Os Reels de Madureira no próprio perfil seguem um roteiro previsível: ele aparece com uma máquina, anuncia um convênio, agradece um prefeito. A narrativa “pouca fala, muita ação” funciona na vida real — mas no Instagram, ela depende de frequência, constância e alguma ambição de alcance. Os números contam outra história: o Reel de maior performance no feed dele atingiu 99 curtidas (abril de 2026, anúncio de R$ 300 mil para cultura em Domingos Martins). O pior, da série #madureiracortes, teve 2 curtidas.
No framework do Método P.O.D.E.R., esse é o padrão clássico do pilar D — Distribuição: produzir conteúdo relevante sem uma estratégia de distribuição é como inaugurar uma obra e não convidar ninguém. O alcance não vem por osmose. O algoritmo entrega para quem posta com frequência e gera sinais de comunidade — e Madureira não faz nem uma coisa nem outra.
A base que não cresce: 5 pessoas comentam, zero respondem
A análise cruzada de 14 Reels do período 2026 identificou um padrão revelador: o mesmo núcleo de 5 a 7 contas aparece comentando em praticamente todos os posts (@rosechavesporto, @marcianodias_oficial, @ivonetemorelo, @bruno2025329, @doutorwanokzor). São apoiadores fiéis — mas são sempre os mesmos. Numa base de 8.489 seguidores, ter um grupo de 5 pessoas carregando o engajamento é um sinal de que a comunidade não se expande há anos.
Pior: dos 14 posts analisados, Madureira ou sua assessoria responderam publicamente a comentários exatamente 3 vezes. Numa eleição onde o eleitor decide cada vez mais pela tela do celular, ignorar quem tira tempo para comentar é jogar contra o próprio algoritmo — e contra o próprio eleitor.
Isso não é um deslize. É a ausência completa de um pilar de R — Relacionamento na estratégia digital. No Método P.O.D.E.R., esse é o erro que mais silenciosamente destrói comunidades políticas: ter gente disposta a interagir e não responder.
O fantasma dos R$ 0 em tráfego pago
Confirmado após varredura em múltiplas fontes: Madureira não investiu um centavo em tráfego pago no Instagram em 2025-2026. Nenhum post patrocinado, nenhum impulsionamento, nenhum anúncio ativo. Zero.
O resultado é previsível: com 8.489 seguidores e 36 curtidas de média, o alcance orgânico estimado fica entre 800 e 1.200 pessoas por post — número insuficiente para qualquer campanha estadual. Enquanto concorrentes investem entre R$ 1 mil e R$ 5 mil mensais em alcance pago, Madureira disputa o feed do eleitor capixaba com a mão no bolso.
A ironia é que o primeiro R$ 1.000 em anúncios segmentados teria um retorno absurdo para ele — por contraste com o patamar atual de invisibilidade. Mas estamos a menos de 90 dias do pleito e o investimento não começou.
🍒 Cereja do Bolo: A dependência de terceiros que virou estratégia (inconsciente)
O dado mais revelador de toda a análise não é o engajamento baixo, nem a ausência de tráfego pago. É este:
Os posts de terceiros que mencionam Madureira (collabs com prefeitos como @eduramosprefeito, vereadores como @joao.machado_oficial e associações comunitárias) geram 5,4x mais curtidas e 2,8x mais comentários que os posts do próprio perfil dele. O melhor post no feed de Madureira teve 99 curtidas. O post de Marcelo Santos anunciando sua posse teve 815. Oito vezes mais.
Isso significa que a audiência dele de verdade não está no @deputadomadureira. Está nos perfis dos prefeitos, vereadores e lideranças locais que ele atende com obras e recursos. O nome Madureira entrega mais no feed alheio do que no próprio — e isso é ao mesmo tempo uma prova de capilaridade política real e um alerta estratégico grave.
Capilaridade real, porque mostra que as entregas dele geram reconhecimento onde importa: nas bases municipais. Alerta grave, porque significa que a presença digital dele é reativa e dependente. Se o prefeito não posta, Madureira não aparece. Se o vereador não grava, o eleitor não vê. Aos 82 anos e na reta final de campanha, o deputado de 5 mandatos depende de terceiros para existir digitalmente — e não parece ter notado.
PodBee – SWOT + CTA MATRIZ SWOT
💪 Forças
- Selo de verificação concedido — ativo de credibilidade no feed
- Base de apoiadores 100% positiva e zero rejeição orgânica
- Collabs com prefeitos entregam 5x mais alcance que o perfil próprio
⚠️ Fraquezas
- Média de 36 curtidas por post — engajamento de microinfluenciador
- Zero tráfego pago em 2025-2026 com eleição a 90 dias
- Gestão de comunidade inexistente: 3 respostas em 14 posts analisados
🚀 Oportunidades
- Primeiros R$ 1.000 em ads teriam retorno explosivo por contraste com o patamar atual
- Collabs podem evoluir de reativas para estratégia planejada de aquisição
- Ano eleitoral permite narrativa “obra vs discurso” como vantagem competitiva
⚡ Ameaças
- Concorrentes com 20K-50K seguidores e tráfego pago ativo dominam o feed do eleitor
- Perfil invisível para quem não segue prefeitos e vereadores da base
- Idade avançada (~82 anos) pode ser explorada como “falta de energia” sem comunicação moderna
🚀 Análise Estratégica 5 mandatos, 8.489 seguidores e 36 curtidas de média — o abismo entre a biografia e o feed.
Esse é só 2 dos 50 erros mapeados no Método P.O.D.E.R.

