Audiência pública da Comissão de Cultura e Comunicação Social reuniu pesquisadores, professores e representantes da sociedade civil por quase quatro horas
A Comissão de Cultura e Comunicação Social da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou nesta quinta-feira (11) audiência pública no Plenário Dirceu Cardoso para debater a influência das redes sociais e os riscos que as plataformas digitais podem representar ao regime democrático, especialmente em ano eleitoral. O evento reuniu políticos, professores e pesquisadores diante de uma plateia composta em grande parte por jovens estudantes.
Entre os temas centrais do debate esteve o papel das grandes empresas de tecnologia — as chamadas big techs — na modulação do comportamento humano e na disseminação de desinformação. O professor da UVV Pablo Ornellas Rosa abordou o que definiu como “tecnoconservadorismo”, fenômeno pelo qual plataformas digitais utilizam dados pessoais coletados dos usuários para influenciar comportamentos e, por consequência, participar do processo político. Ele também destacou que plataformas de comunicação não são neutras e que o modelo de monetização favorece a radicalização dos discursos, pois conteúdos mais extremos tendem a alcançar maior público.
A pesquisadora Marialina Côgo Antolini, PhD em Informação e Mídia pela Universidade de Michigan, apresentou o conceito de “plataformização da vida”, argumentando que o uso das grandes plataformas digitais deixou de ser opcional e passou a integrar a infraestrutura de funcionamento da sociedade, de escolas a órgãos governamentais. Ela defendeu a regulamentação das plataformas e reforçou que não existe neutralidade na tecnologia nem na mídia.
A pesquisadora também apresentou dados de um estudo próprio sobre comportamento político nas redes, apontando que aplicativos de mensagens estão mais associados a atitudes conservadoras, enquanto Instagram e YouTube foram associados a uma postura mais moderada e crítica a movimentos antidemocráticos.
O reitor emérito da Ufes, Reinaldo Centoducatte, e o professor Edgard Rebouças defenderam o controle estatal sobre as big techs e a regulamentação das plataformas digitais como caminho para conter avanços antidemocráticos.
A audiência também contou com a participação da coordenadora nacional do Coletivo Levante da Juventude, Fernanda Moreira, que destacou o protagonismo dos jovens na disputa por narrativas políticas nas redes, e da representante da Associação do Território Indígena Tupinikim e Guarani, Lara Evellin Pêgo de Souza, que relatou o uso das redes sociais para divulgação da cultura indígena e denúncia de violências.


