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Perdeu A Cadeira Por 2 Mil Votos E Venceu Anchieta Por Mais De 8 Mil A Noite Agridoce De Fabricio Petri

Perdeu a cadeira por 2 mil votos e venceu Anchieta por mais de 8 mil: a noite agridoce de Fabrício Petri

A noite em que o mais votado da cidade não foi eleito

A noite de domingo (4) resumiu o paradoxo das eleições proporcionais para Fabrício Petri (AGIR): ele foi, de longe, o candidato a deputado estadual mais votado em Anchieta — 8.117 votos, mais de sete mil à frente do segundo colocado — e, mesmo assim, não saiu eleito. Perdeu a vaga na Assembleia por detalhe de matemática partidária, não por falta de voto. No estado, somou 18.305 votos (0,85% dos válidos), a maior votação da carreira, que o deixaram na suplência do AGIR — a cerca de 2 mil votos da última cadeira conquistada pelo partido.

Não foi derrota, e não foi vitória. Foi o “perdeu ganhando” que a política local raramente exibe com números tão claros: o ex-prefeito saiu das urnas de 2026 sem mandato, mas com a prova mais valiosa que um nome público pode ter — a base que o elegeu prefeito por duas vezes, e que elegeu seu sucessor, Léo Português, continua com ele.

O fenômeno em Anchieta

Os números de Petri em Anchieta dispensam margem para dúvida. 8.117 votos para deputado estadual, primeiro lugar isolado do município. O segundo colocado, Zé Preto (Podemos), ficou com 1.018 — uma vantagem de 7.099 votos, o equivalente a uma eleição inteira de diferença sobre o concorrente mais próximo. Na prática, Fabrício transformou Anchieta em território próprio: quem votou em deputado estadual na cidade, em sua esmagadora maioria, votou nele.

Um número que sozinho elegeria em qualquer disputa municipal. Mas o cargo era estadual — e o jogo, completamente outro.

A conta que escapou

No estado, Fabrício fez 18.305 votos. O AGIR elegeu dois deputados: Hudson Leal, com 21.016, e Brizola Corteletti, com 20.361. A última vaga do partido ficou com Brizola — e faltaram 2.056 votos para Fabrício alcançá-la. Uma diferença que cabe em uma comunidade, em um bairro, em uma manhã de campanha.

O ponto sensível: em quase qualquer partido com estrutura de quociente, 18.305 votos significam cadeira garantida. O problema de Fabrício em 2026 não foi voto — foi a engenharia da legenda, que distribuiu espaço para nomes com votação mais espalhada pelo estado. A votação de eleito existiu; faltou o partido que a comportasse.

Os mais de dez mil votos fora de Anchieta

O dado mais subestimado da eleição é este: 10.188 votos — 55,7% do total — vieram de fora de Anchieta. É mais da metade da votação de Fabrício produzida fora da própria base, em um partido sem estrutura estadual e sem candidato majoritário forte puxando votos na região.

Esse número muda a leitura sobre o personagem. Não é um ex-prefeito preso à própria cidade: é um nome que, mesmo sem mandato, arrancou votos no entorno — com capilaridade nascente e presença de campanha no litoral sul, como o comitê montado em Piúma durante a disputa. A distribuição municipal exata desses votos ainda não foi mapeada — mas o volume já diz que Anchieta não é o teto dele; é o ponto de partida.

A comparação simbólica: o mesmo eleitorado

Em 2024, Léo Português foi eleito prefeito de Anchieta apoiado por Fabrício, com 8.405 votos. Em 2026, Fabrício fez 8.117 na cidade para deputado estadual — praticamente o mesmo eleitorado, em eleições e cargos diferentes. A leitura é direta: a base não migrou de projeto, ela ampliou. O grupo político que elegeu o prefeito continua mobilizado em torno do nome de Fabrício — agora, também, com votos de fora da cidade na conta.

Cereja do Bolo

Quem leu a noite de domingo como derrota não conhece Anchieta. Fabrício Petri não perdeu nada: colocou no bolso 8.117 votos — mais do que o eleitorado que elegeu o prefeito em 2024 — e ainda saiu com 10.188 votos sobrando pelo estado. A Assembleia pode esperar sentada. A cadeira que ele conhece, aquela que manda em Anchieta, está viva e tem nome.

E é exatamente aí que o jogo muda de figura. Se for verdade o que se comenta na cidade — que Fabrício não vai passar o bastão a ninguém em 2028 — a eleição municipal ganhou o candidato mais pesado que Anchieta já viu: ex-prefeito, dono do voto da base e com 18 mil provas de que a cidade ainda anda com ele. Só que isso, por enquanto, não passa de burburinho. A matéria fica devendo a confirmação. Anchieta, porém, já entendeu o recado.

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