Alfredo Chaves se tornou o centro de uma pesquisa inédita no Brasil sobre o controle da Febre do Oropouche. O município, que registrou 1.289 casos confirmados da doença entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, foi escolhido como sede do estudo por conta do número elevado de ocorrências.
Os trabalhos estão sendo realizados na comunidade de Quarto Território, área com alta concentração de maruins — insetos transmissores do vírus. A primeira fase da pesquisa começou em fevereiro deste ano, com a aplicação de inseticidas em campo após testes laboratoriais comprovarem a eficácia do produto. As substâncias, utilizadas também no combate ao mosquito da dengue, foram aplicadas em ciclos semanais durante cerca de 80 dias para determinar o método mais eficiente.
Em agosto teve início a segunda fase do estudo, que se estende até o fim de outubro de 2025. Nesta etapa, os inseticidas estão sendo aplicados de forma otimizada, buscando comprovar resultados consistentes. A expectativa é que os dados obtidos subsidiem regras seguras para o controle dos maruins em áreas rurais do Brasil e de outros países.
As ações de médio e longo prazo concentram esforços na prevenção do desenvolvimento dos maruins. Armadilhas foram instaladas em plantações de banana no Quarto Território, monitoradas quinzenalmente, com o objetivo de mapear os locais de maior reprodução dos insetos e testar substâncias capazes de eliminar larvas sem causar desequilíbrios ambientais.
O projeto é desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz, Embrapa, Governo do Estado e Prefeitura de Alfredo Chaves. Especialistas afirmam que os resultados obtidos poderão contribuir para a formulação de protocolos internacionais de enfrentamento da Febre do Oropouche, doença antes restrita à região amazônica e que, em 2024, passou a registrar surtos em diversos estados brasileiros.





