
O deputado estadual Adilson Espíndola é uma das lideranças mais expressivas da Região Serrana do Espírito Santo. Com base eleitoral historicamente consolidada no interior, principalmente em Santa Maria de Jetibá, o parlamentar garantiu sua vaga como titular na Assembleia Legislativa (ALES) nas eleições de 2022 com 22.278 votos — praticamente dobrando seu eleitorado em relação ao pleito anterior. No entanto, quando essa força política de “olho no olho” é transposta para o ambiente digital, os dados públicos revelam uma engrenagem com falhas técnicas, dependência extrema de terceiros e estratégias de blindagem que mascaram o real engajamento do público.
O ESCONDE-ESCONDE QUE TRAI A PRÓPRIA FORÇA
Um dos pontos que mais chama atenção no Instagram do deputado é a oscilação na exibição das curtidas em vídeos novos: quando o conteúdo performa bem, os números ficam abertos; quando o post não alcança tração orgânica, as curtidas são ocultadas. Para além da vaidade digital, essa prática revela o receio da percepção de isolamento. Ocultar o termômetro não cura a febre — para um político com votação expressiva nas urnas, um feed com baixa resposta do eleitorado real demonstra distanciamento entre a comunicação e as dores da população.
QUANDO O PALANQUE É EMPRESTADO

O outro motor de alcance do perfil são as constantes colaborações (colabs) com deputados e lideranças de maior expressão estadual. A análise técnica mostra que o perfil de Espíndola funciona como um “satélite” digital: cede presença nas bases do interior, mas depende da força algorítmica de “cabeças de chapa” para os próprios posts ganharem relevância. Quando os posts colaborativos são retirados da conta, o engajamento do feed proprietário cai drasticamente.
A velocidade das primeiras interações confirma o diagnóstico: grande parte dos comentários iniciais parte de uma câmara de eco formada por assessores, comissionados e aliados políticos. O produtor rural da Região Serrana — o eleitor real — aparece pouco nessa engrenagem.
OS DOIS ERROS QUE ESCANCARAM O TRÁFEGO PAGO

Se no orgânico a conta patina, é no tráfego pago que os problemas estruturais ficam evidentes. Os dados da biblioteca de anúncios da Meta apontam investimento baixo nos últimos 90 dias (cerca de R$ 513 acumulados). Mais grave que o orçamento reduzido são as falhas de configuração.
O primeiro problema é a segmentação: foram identificados anúncios com prestação de contas de ações hiper-regionais — visitas a municípios serranos, emendas locais — configurados para distribuição em nível de “Brasil (Avançado)”. Sem restrição geográfica ao Espírito Santo ou às microrregiões de interesse, o algoritmo gasta verba exibindo entregas do deputado para usuários de outros estados que nunca poderão votar nele. Esse é o Erro 13 do Método PODER — Falta de Segmentação Geográfica Escrita: verba diluída em público que não pertence à zona eleitoral, inflando CPM e derrubando alcance útil.
O segundo problema é a ausência de funil: os criativos impulsionados são réplicas exatas de vídeos longos e burocráticos do feed, em formato institucional de TV. Não há anúncio pensado para linguagem rápida de internet, captação de novas bases ou diálogo direto com o eleitorado. Esse é o Erro 19 do Método P.O.D.E.R — Não Capturar Leads Próprios: todo tráfego pago vai para visualização de perfil, sem nenhuma página de captura de e-mail ou WhatsApp — o relacionamento some no instante em que o anúncio para de rodar.
Soma-se a isso um risco operacional sério, fora do escopo dos 50 erros catalogados: falhas de padronização no rótulo obrigatório “Temas Sociais, Eleições ou Política” em impulsionamentos diretos da página, o que gera rejeições recorrentes de anúncios pela Meta e expõe a conta a penalizações e bloqueios gerenciais.
O DIAGNÓSTICO

O tráfego pago da página de Adilson Espíndola não opera como ferramenta de expansão — opera como paliativo para gerar visualizações de Reels. Como o vídeo ganha views por distribuição paga, mas mantém proporção de curtidas baixa, a exibição de likes é trancada para sustentar uma ilusão de engajamento uniforme. A conclusão técnica é direta: a presença digital do parlamentar roda no automático, sem inteligência de segmentação, sem funil de conteúdo, cometendo erros básicos que comprometem a saúde técnica da própria conta. Para um deputado que dobrou sua votação entre 2018 e 2022, chegar perto de 2026 nesse modo automático é desperdiçar o maior ativo que ele construiu nas urnas.
CEREJA DO BOLO: O PERIGO DA AUTORIDADE TERCEIRIZADA
O “pulo do gato” que o caso Espíndola traz para o mercado de marketing político é o risco da terceirização da autoridade. No interior, o deputado é um gigante físico — atendimento em prefeituras, hospitais locais, associações de produtores —, mas sua equipe digital o trata como coadjuvante na internet, dependente de colabs para existir. Na internet moderna, o político que não constrói a própria comunidade vira refém das páginas dos outros. Se o aliado mudar de lado amanhã, ele perde o palanque e o algoritmo ao mesmo tempo.
Segmentação errada e falta de funil já bastam para travar qualquer campanha
Esse é só 2 dos 50 erros mapeados no Método P.O.D.E.R.


