Há algumas semanas, observei a conversa de um grupo de pessoas que tratava de projetos, sonhos e desejos a serem realizados ou no mínimo com intenção de realizar.
Entre uma e outra opinião ficava nítido que, o que se defendia ou propunha, estava diretamente associado à satisfação individual com uma dose considerável de influência externa e não por escolha própria.
Mais do que atentar às marcas e modelos com enorme similaridade, era impossível não perceber as expressões faciais e corporais cheias de confiança, apontando para um “quê” de escolha própria e satisfação por se julgar livre para escolher.
Em meio a estes pensamentos, dois conceitos me vieram à mente, especialmente pela defesa efusiva dos falantes planejadores do futuro, em relação às argumentações que seriam então mais que favoráveis aos meios para a realização de seus desejos.
Não me tornei parte do debate, nem coloquei os conceitos pensados na roda para isso. Somente me pus a pensar em alguns pontos, como: será que estas escolhas estão realmente sendo feitas com a liberdade devida?
Lembrei-me de Immanuel Kant, filósofo alemão do século XVIII, que entre tantas análises, questionou o que é “liberdade”.
Pensando sobre a liberdade de mercado, segundo Kant, esta não seria verdadeira, pois se volta exclusivamente para a satisfação de desejos que sequer escolhemos.
Segundo ele, as pessoas agem para a satisfação de seus desejos sendo influenciadas por fatores externos, ou seja, pela “heteronomia”, e neste sentido, se não há “autonomia” nas escolhas, não há efetivamente liberdade, o que pode comprometer a dignidade e não permite a distinção do certo e do errado uma vez que a “vontade” comanda a “razão”.
Por outro lado, há o “hedonismo”, que surgiu na Grécia antiga, sendo uma doutrina que, de modo simples, apontava a busca permanente pelo prazer como base para a felicidade e existência humana.
Entre as diversas versões desta corrente, muito se discute hoje sobre a individualização das ações com comportamentos voltados para a realização de prazeres breves e imediatos, seja pelo consumo excessivo, pelo sexo simples e sem envolvimento, ou por necessidade de uma exibição nas redes sociais que dura o tempo
de um storie.
Neste sentido os comportamentos são majoritariamente impulsivos, sem raciocínio algum, com altas doses de egoísmo e uma necessidade de nos mostrarmos superiores aos outros, não só obtendo coisas e visualizações, mas exibindo o que “conquistamos”,
como diria Veblen.
É a máxima expressão de uma sociedade que quer muita coisa, sem saber direito “o que”, muito menos “para que” e “por que”.
Como cantou Raul Seixas: Tem tanta coisa no menu, que eu nem sei o que comer…
E assim vamos nós como sociedade.
joilton Sergio Rosa