É, tenho que reconhecer: está difícil entender as constantes mudanças globais com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Se durante décadas, a bipolarização mundial EUA x URSS comandou o mundo, após a queda do Muro de Berlim, os olhos se voltaram para a democracia liberal como sistema político ideal.
E por falar em “liberal”, não tratamos só de questões políticas. Há também as questões econômicas, o livre mercado, a globalização, a formação de blocos econômicos, desde o Benelux, a CECA, a União Europeia, o Nafta, até o Mercosul.
Sem esquecer as lutas pelas liberdades individuais, as batalhas raciais, as minorias, a disseminação da ideia de um mundo sem fronteiras.
É possível que a “liberalização global” não tenha cumprido o que prometeu, especialmente no que diz respeito ao aspecto econômico, já que a “diminuição da pobreza” parece ter se transformado em uma “concentração de riqueza”, onde o 1% mais rico do mundo acumula 2/3 dos US$ 42 trilhões de dólares gerados de riqueza no último ano, segundo a Oxfam, enquanto bilhões de pessoas, principalmente na África, vivem na pobreza extrema.
Enquanto isso, as megacorporações parecem ter muito mais poder e influência do que os próprios governos, na verdade, parecem ter influência e poder “sobre” os Estados e seus governantes.
Se for isso, a quem os Estados atenderão primeiro?
Do outro lado, os reles mortais que não estão no 1% mais rico, não fazem parte dos quadros das megacorporações, nem recebem os PLR’s das mesmas, e muito menos desfrutam das benesses de ser ocupante de cargos em governos que se autoprotegem, rogam por serviços essenciais e políticas de bem-estar social, rezando para serem atendidos, assistem a esse turbilhão de coisas em perplexidade.
Mais um ingrediente interessante é que a queda de barreiras comerciais da globalização ficou obsoleta, voltando à moda os protecionismos fronteiriços e comerciais. Vejamos o Brexit e as medidas protecionistas sobre produtos dos Estados Unidos e União Europeia.
Embaralhando mais as coisas, o avanço das Tecnologias de Informação e o imenso volume de dinheiro imaterial que circula pelo mundo virtual sem ser impresso levantaram questões ligadas à necessidade de regulação.
Oi? Como assim? De que forma se regula isso?
O mesmo se dá em relação às “fake news”, que são tema mais que recorrente nos últimos anos, apontando-se como algo a ser “regulado”, inclusive em países ultraliberais (até então) como os Estados Unidos.
Confesso que já não entendo mais nada! Um mundo “desenvolvido”, que pregava a ampla liberdade, defende agora a regulamentação de transações financeiras, de mídias e redes sociais, de trânsito entre países, de comercialização de produtos.
É, alguma coisa não está legal!
Mesmo assim, noto que um ponto não entrou nesta pauta de regulamentação: a Inteligência Artificial, pelo menos por enquanto.
Seja ela a Limitada, a Geral ou a Superinteligência, usando o “machine learning”, disseminadas via “chatbots” como “ChatGPT”, “ChatSonic”, “JasperChat”, “Character AI”, etc.
Essas IAs e seus principais favorecidos (seus criadores) divulgam abertamente que o futuro está nessa realidade e sem isso você não será nada.
Não me lembro de nenhum vendedor falando mal de seu próprio produto.
Afirma-se, porém, que milhares/milhões de empregos e profissões serão extintos com o uso dessa tecnologia e ninguém diz nada! Aceitamos isso com um sorriso de admiração ou com uma feição abismada e inerte.
Esquece-se de que as crianças e jovens que morrem subnutridos na África não terão sequer energia em suas casas (se tiverem uma), quanto mais internet!
Desprezam as famílias que lutam por suas vidas e casas com suas famílias de crianças e idosos sob a égide de governos autoritários em muitos países, ou mesmo fogem de guerras insanas e descabidas, tendo como maior preocupação sobreviver e prover alimento para seus familiares, e jamais terão condição de oferecer a seus filhos o mínimo de formação para atuarem nesse mercado.
É uma realidade dos ricos, para os ricos e só!
E o pior: a quem compete regular tal tema? Aos políticos, em especial aos do Legislativo em todos os níveis, que devem criar, avaliar e aprovar leis para tal fim. Mas se esses políticos, em sua maioria, têm imensa dificuldade de regular seus mandatos e partidos, como conseguirão criar dispositivos legais para regulamentar uma ferramenta tão fluída?
E aí: quem vai regular o GPT?

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