Uma dentista de 44 anos foi indiciada pela Polícia Civil do Espírito Santo após pacientes relatarem deformidades, infecções e sequelas permanentes decorrentes de procedimentos de minilifting facial realizados em uma clínica localizada em Vila Velha. O sobrinho dela, de 25 anos, também foi indiciado no mesmo inquérito.
Segundo a investigação, os dois foram indiciados por lesão corporal culposa, quando não há intenção de causar dano. O inquérito foi concluído em abril de 2026 e encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que solicitou diligências complementares à Polícia Civil.
De acordo com o relatório policial, três pacientes relataram complicações após os procedimentos, entre elas abertura de pontos, secreção purulenta, dores intensas, sangramentos persistentes e necessidade de acompanhamento médico posterior. As vítimas também afirmaram ter recorrido ao uso de antibióticos, tratamentos regenerativos e acompanhamento com cirurgiões plásticos.
A Polícia Civil apontou indícios de imperícia e imprudência na realização das cirurgias, além da ausência de exames pré-operatórios, avaliação de risco cirúrgico e estrutura adequada para lidar com complicações. Conforme a investigação, em um dos casos a ficha de anamnese não chegou a ser preenchida.
Ainda segundo o inquérito, os procedimentos foram realizados em dezembro de 2025. À época, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) proibia a realização de lifting e minilifting facial por dentistas, conforme a Resolução nº 230. Em março de 2026, a Resolução nº 286 passou a reconhecer a cirurgia estética orofacial como especialidade odontológica, desde que o profissional possua habilitação específica registrada no CFO.
A Câmara Técnica do Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) informou que, até maio de 2026, nenhum profissional no estado possuía registro para atuação nessa especialidade.
A investigação também apurou que o termo de consentimento assinado pelas pacientes classificava o procedimento como cirurgia plástica e utilizava a palavra “médico” em diversos trechos, sem mencionar a atuação odontológica.
Além do inquérito criminal, o CRO-ES instaurou 15 procedimentos administrativos contra a dentista. Os processos tramitam em sigilo.
Em depoimento à polícia, os investigados negaram irregularidades e afirmaram que atuaram dentro de suas áreas de especialização. A defesa informou que os procedimentos ocorreram em um contexto de debate jurídico e técnico sobre a atuação odontológica em cirurgias estéticas faciais e destacou que o CFO reconheceu posteriormente a cirurgia estética orofacial como especialidade odontológica.
Fonte: A Gazeta






