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Ales debate violência contra profissionais que denunciam abuso infantil

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou, nesta terça-feira (9), uma reunião para discutir a violência dirigida a profissionais que atuam na defesa da infância e que têm sido alvo de ameaças após denunciar casos de abuso sexual. O debate foi motivado pelo caso da psicóloga Sara Lopes da Silva Fiorotti, de Barra de São Francisco, que relatou ter sofrido intimidações após comunicar situações de violência infantil.

Durante o encontro, foram apresentados dados do Instituto Liberta, que apontam que cerca de 100 crianças sofrem violência sexual diariamente no Brasil, sendo que mais da metade das vítimas tem até 5 anos de idade. A maioria dos crimes ocorre dentro da própria residência e atinge principalmente crianças negras.

Em seu depoimento, a psicóloga Sara Fiorotti afirmou ter sido vítima de um atentado enquanto se deslocava para o trabalho e disse ter percebido movimentações suspeitas nos dias seguintes. Segundo ela, as ameaças têm o objetivo de silenciar denúncias. A profissional questionou quais medidas de segurança são oferecidas pelo Estado aos trabalhadores da rede de proteção.

A delegada adjunta da 14ª Delegacia Regional de Barra de São Francisco, Jéssica de Souza Bohrer, explicou que a Polícia Civil atua de forma integrada com escolas, Conselho Tutelar e outros órgãos responsáveis por encaminhar denúncias. Sobre o caso da psicóloga, ela afirmou que as investigações estão sendo conduzidas com rigor e destacou a importância de estabelecer protocolos para proteger profissionais ameaçados.

O desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Raphael Americano Câmara, ressaltou que o combate à violência sexual infantil demanda participação de toda a sociedade e afirmou que o Judiciário tem investido em ações e estruturas voltadas à proteção de crianças e adolescentes.

O deputado Alcântaro Filho (Republicanos) alertou que a falta de segurança e punição a ameaças pode desestimular profissionais da área. Ele informou que a comissão estuda a criação de um plano estadual de segurança destinado a psicólogos, conselheiros tutelares, professores e demais trabalhadores da rede de proteção. Entre as medidas em análise estão reforço da segurança nos locais de atuação, mecanismos de alerta e, em casos específicos, presença de vigilância armada.

Ao final da reunião, a psicóloga reafirmou que continuará exercendo suas funções, apesar das ameaças, e destacou a importância da atuação dos profissionais que defendem crianças vítimas de violência.

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