Durante a sessão da Tribuna Popular desta quarta-feira (6) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito), Carlos Henrique Nunes da Costa, defendeu a presença ininterrupta de fisioterapeutas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais públicos e privados do estado. O convite para a participação foi feito pela deputada estadual Camila Valadão (Psol).
Segundo Carlos da Costa, estudos técnicos apontam que a atuação dos profissionais de fisioterapia em tempo integral nas UTIs pode reduzir em até 40% os custos com pacientes de alta complexidade. “Levantamentos junto ao DataSus demonstram o custo diário de R$ 9 mil com pacientes de alta complexidade. A antecipação da saída do paciente, portanto, vai reduzir esses custos”, afirmou.
O presidente do Crefito manifestou apoio ao Projeto de Lei (PL) 155/2024, de autoria da deputada Camila Valadão, que estabelece a obrigatoriedade da presença de ao menos um fisioterapeuta para cada 10 leitos intensivos, em regime de 24 horas. O texto foi aprovado pela Assembleia Legislativa, mas recebeu veto integral do governador Renato Casagrande (PSB), ainda pendente de análise pelos parlamentares.
Carlos da Costa citou também a Resolução da Anvisa que determina a presença de fisioterapeutas nas UTIs por, no mínimo, 18 horas, permitindo ampliação desse tempo pelos gestores das unidades de saúde.
A supervisora do serviço de fisioterapia do Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba), Priscila Dutra, também apoiou o projeto. “Eventos adversos acontecem nos feriados e finais de semana e colocam o paciente em risco. Dados do Himaba mostram a redução do tempo de ventilação mecânica e suporte respiratório não invasivo muito significativos”, destacou.
Ela afirmou ainda que estudos nacionais e internacionais comprovam os benefícios da atuação contínua dos fisioterapeutas, como a redução da mortalidade e da permanência nas UTIs. “Existem muitas UTI onde o fisioterapeuta se ausenta da meia-noite às 6 horas da manhã. Nesse intervalo o paciente pode ter uma piora e não terá o fisioterapeuta para intervir”, disse.
Reivindicação de servidores
Na mesma sessão, a Tribuna Popular recebeu o servidor estadual Solon Borges, da Secretaria de Estado da Saúde. Representando administradores concursados em 1987, ele denunciou o que considera uma desvalorização da categoria após o cargo ser incluído em processo de extinção.
Segundo Solon, esses profissionais foram colocados em regime de vacância, mesmo exercendo as mesmas funções dos novos servidores, o que gerou diferenças salariais. Ele solicitou apoio dos deputados para corrigir o que considera uma injustiça. A deputada Janete de Sá (PSB) comprometeu-se a formar uma força-tarefa parlamentar para avaliar a situação.





