Governador do Espírito Santo qualifica medida como retrocesso e alerta para efeitos profundos na economia brasileira
Vitória – O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, manifestou-se nesta quinta-feira (10) sobre o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, com vigência prevista a partir de 1º de agosto de 2025. Casagrande classificou a medida como um “retrocesso” nas relações comerciais entre Brasil e EUA e criticou seu caráter ideológico, em detrimento dos interesses dos povos brasileiro e americano.
Em publicação nas redes sociais, o governador destacou que, como chefe de um estado com “relevante comércio internacional”, defende o “comércio justo, o respeito entre as nações e o diálogo acima de disputas políticas”, ressaltando que a tarifa de 50 % penaliza os setores exportadores e agrava tensões diplomáticas.
Impactos econômicos previstos
Segundo análise de Eduardo Mira na Forbes, o “tarifaço” ameaça a competitividade de produtos como café, carne bovina, suco de laranja, aço e papel e celulose no mercado americano—principal destino dessas commodities. Além disso, gera instabilidade no mercado financeiro, pressionando o real, elevando a inflação e aumentando o risco-país, o que pode acarretar saída de capitais.
Disparidade nos dados comerciais
Mira também aponta que a metálica retórica de Trump sobre “déficit comercial” com o Brasil não se sustenta: em 2024, os EUA tiveram superávit junto ao Brasil de US$ 284 milhões. Ou seja, a medida, além de protecionista, ignora dados objetivos do comércio bilateral.
Tensões políticas
O texto de Trump relaciona a tarifa a intervenções brasileiras envolvendo o STF e o julgamento do ex-presidente Bolsonaro Já do lado brasileiro, o presidente Lula defendeu a soberania do país e sinalizou à aplicação da “Lei de Reciprocidade Econômica” caso haja retaliação tarifária.
O posicionamento de Casagrande se soma ao de diversos líderes políticos, setores produtivos e especialistas econômicos — incluindo o ministro Haddad, que classificou a tarifa de insustentável e motivada por fatores políticos internos dos EUA. A conjuntura acentua a necessidade de mobilização diplomática para preservar a competitividade do Espírito Santo e do Brasil.




