A Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) debateu, na manhã desta terça-feira (18), o impacto da subnotificação de crimes na formulação das políticas públicas de segurança. A reunião, integrada ao tema “A face oculta da violência: notificações e seus efeitos nas políticas de segurança”, foi conduzida pelo presidente do colegiado, deputado Delegado Danilo Bahiense (PL).
O encontro buscou destacar como a ausência de registros oficiais — motivada por falta de acesso, descrença institucional ou medo de represálias — afeta a compreensão do cenário real da violência no estado e limita a capacidade de atuação do poder público.
Durante a discussão, o deputado Danilo Bahiense afirmou que há discrepância entre os dados divulgados e a vivência da população. Segundo ele, indicadores que mostram melhora não contemplam ocorrências que deixam de ser registradas. Entre os fatores citados como subnotificados estão tentativas de homicídio, desaparecimentos em áreas dominadas pelo crime organizado, mortes em confrontos policiais, crimes sexuais, violência contra idosos e delitos patrimoniais. O parlamentar também mencionou a defasagem do efetivo das forças de segurança, inferior ao necessário desde a década de 1990.
Representando a Secretaria Estadual de Segurança Pública, o delegado Leandro Barbosa Moraes destacou que o enfrentamento à subnotificação é uma das prioridades do governo estadual. Ele afirmou que as contribuições apresentadas serão encaminhadas para fortalecer os mecanismos de registro e ampliar a transparência dos dados.
Instituições presentes no debate reforçaram a importância da formalização das ocorrências. O representante da Guarda Municipal da Serra, Paulo Agapito, ressaltou que o registro é fundamental para o planejamento e a eficiência no combate ao crime. Já o presidente da Comissão de Segurança da OAB/ES, Roberto Darós, apontou que a falta de confiança nas instituições é um dos principais fatores que levam a população a não registrar os delitos sofridos.





