Mesmo após alguns dias após a final da Copa do Mundo, com a
merecida vitória da Argentina (para a alegria de alguns e raiva de outros brasileiros), os acontecimentos advindos da derrota do Brasil nas quartas de final, renderam muitas conversas, debates e discussões sobre os fatores que pesaram contra a nossa seleção em sua eliminação.
Uma das frases que mais ouvi depois é que “os jogares não têm uma
cultura de vitória”, ou algo parecido, que geralmente assimilava a derrota à palavra cultura.
Procurei não entrar em nenhum debate acalorado sobre o tema, mas
confesso que relembrei uma série de questões sociológicas relativas ao assunto e gostaria de tratar aqui.
Primeiro é preciso entender que há um senso comum que trata a cultura como várias coisas diferentes. Por segundo: ao se referir a alguém que lê muito, estuda bastante ou possui muito “conhecimento”, refere-se a este como alguém que tem muita “cultura”.
Da mesma forma, pessoas ligadas à movimentos artísticos como dança, música, teatro, etc., são tidas como pessoas ligadas à “cultura” ou que trabalham pela “cultura”.
Há ainda a relação com as pessoas que trabalham com diferentes
culturas como a “cultura” do café, do milho, do feijão, da banana, etc., ou seja, regularmente a “cultura” pode ter muitos sentidos.
Ou seja, falarmos de “cultura” no direciona a pensar na amplitude do tema.
Muitos estudos sociológicos foram feitos para tratar do temo, no
momento, gostaria do entendêssemos que “cultura” está associada à
capacidade do ser humano, através de seu conhecimento social, em
desenvolver tanto artefatos como ideias, resultando em tudo que o homem criou.
Uma coisa é certa para a Sociologia: não existem culturas superiores e todas devem ser respeitadas. Julgar uma “cultura” diferente, incorre em “etnocentrismo”, ou seja, achar que a sua “cultura” é melhor com base naquilo que você acredita.
O tema é longo e explaná-lo em um artigo seria impossível, mas gostaria de tratar alguns assuntos sociológicos com vocês.
Uma das expressões é a “enculturação”, ou seja, ao nos socializarmos
passamos por um processo de interiorização de nossa “cultura”, seguindo costumes, normas, crenças, etc.
Por outro lado, temos a “aculturação” ou “transculturação”, quando
temos a mistura de várias “culturas”, com influência mútua, geralmente com predominância de uma sobre a outra. O Brasil é um excelente exemplo.
Existem ainda as “culturas” materiais e não-materiais, que envolvem as ideias, crenças, valores, etc., uma vez que as “materiais” dizem respeito a objetos, artefatos, etc.
Bem, não sei se ajudei ou prejudiquei, mas lembre-se: “Cultura” é
grande demais para reducionismos.