Investigação de dez meses concluiu que as três vítimas eram inocentes e não tinham envolvimento com o tráfico; crimes tiveram motivação em disputa entre facções
A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou dois ataques a distribuidoras de bebidas ocorridos na noite de 22 de outubro de 2025 nos bairros Maringá e Laranjeiras, na Serra. As investigações resultaram no indiciamento de 13 pessoas, entre elas duas advogadas, todas já rés na ação penal.
As investigações concluíram que as três vítimas fatais não tinham envolvimento com atividades criminosas. Luiz Gustavo Pratti Corvello, de 34 anos, foi morto no bairro Maringá após ser confundido com o verdadeiro alvo da organização criminosa. No ataque em Laranjeiras, morreram Mislene Ferreira dos Santos, de 40 anos, que havia parado para comprar uma cerveja, e Vagner da Costa Jardim, de 36 anos, que foi ao local acompanhar um jogo. Havia cerca de 16 pessoas na frente do estabelecimento no momento dos disparos.
Segundo a Polícia Civil, os crimes foram motivados por disputas pelo controle do tráfico de drogas. O ataque em Maringá teria relação com um conflito interno entre integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), enquanto o de Laranjeiras decorreu de disputa territorial entre o TCP e o Primeiro Comando de Vitória (PCV).
A investigação aponta Pedro Corttes Falcão, o “Pedrinho”, como mandante dos crimes. A advogada Laís Santos de Paula foi presa por intermediar a comunicação entre integrantes da facção presos e aqueles em liberdade, transmitindo ordens de Wesley Magno Uchoa Braz, o “Neném”, que comandava o tráfico de dentro do sistema prisional. Já a advogada Monique Lopes Guerra foi presa por supostamente tentar impedir que uma das testemunhas colaborasse com as investigações e por compartilhar informações sigilosas do caso.
O empresário Gilson da Costa Silva é apontado como financiador da organização, tendo supostamente comprado o veículo usado nos ataques e fornecido munições. Um dos executores, Brendo Magalhães Silva, fugiu para o Paraná após os crimes e foi preso em operação conjunta das polícias civis dos dois estados.
A defesa de Gilson da Costa Silva contestou as acusações, afirmando que o principal elemento utilizado para vinculá-lo ao crime são declarações de um corréu que teriam sofrido alterações ao longo da investigação, e que não há prova independente de seu envolvimento.



